janeiro 31, 2012

METAMORFOSEAR

A primeira imagem que me passa pela cabeça? Assim de repente, o protector do monitor do meu computador, em que depois de um minuto de (eterna..) espera, fica todo preto, aparecendo no meio da escuridão, uma modelo em trajes menores, que de forma abnegada e muito profissional, se dedica a limpar o vidro do ecran com uma esponja, água e sabão, pondo assim a sua saúde em risco, devido aos salpicos que constantemente lhe molham o wonderbra... Ah, a primeira imagem era acerca do verbo metamorfosear?... Neste caso, assim de repente, um bichinho da seda, muito feiinho, que se tiver a sorte de não levar com uma bota nº 42 nas costas, ou não servir de aperitivo a um passarinho, se irá transformar depois de um período encasulado, numa belíssima e colorida borboleta a esvoaçar pelos jardins...( isto é, se não for apanhada por uma rede do tipo da bota nº 42, ou se não servir de petisco a outra ave com apetite para outro tipo de aperitivos...)

Depois de uma aturada pesquisa sobre a temática ( bendita internet..) e sabendo que qualquer crónica que se preze, deve ter alguma informação útil, cá vai: não, não me vou referir a ter receio de qualquer bota nº 42, sobretudo se for daquele tipo de pessoa que acorda de manhã com cara de insecto, de olhos esbugalhados. Vou antes falar de um livro, que faz parte da literatura universal. Um conto com o sugestivo título “ A metamorfose”. Escrita por um tipo de nacionalidade checa, chamado Franz Kafka, é sobre a história de um homenzinho, caixeiro viajante que, um dia, acorda na sua cama transformado num insecto. Realmente, um cenário fora do vulgar, tal como os seus contos, e que originou o adjectivo “kafkiano”, quando o relato de um acontecimento é cheio de peripécias, fora do comum, anormal, presa pelas engrenagens da burocracia ( ou seja, a ser aplicado a qualquer acção dos nossos políticos...),. Numa alegoria á sua própria vida familiar, o pobre caixeiro viajante, outrora parasitário, pois trabalhava para o sustento de toda a familia, agora transformado num repelente insecto, parasita e dependente, é aos poucos abandonado pela famelga que, como tem de dar ao cabedal e fazer-se pela vida, ja nao precisa do desgraçado.

Confesso que não li o conto.
Fica a aguardar a sua vez, entre o livro do tio Patinhas e a “blitz” de Dezembro, naquele pequeno local sagrado da casa, onde o comum dos mortais com pouco tempo dedica para a leitura. Mas desde já aviso: o livro não tem desenhos, o que é desmotivador. Só letras e letras, que juntas formam palavras, e que, com a pontuação correcta, nos levam a frases. Nem um desenho sequer de um super heroi a desancar bandidos ou uma foto de uma “nova-figura-jet-set-da-casa-dos segredos-amanhã-já nao-sei-o-teu-nome”. Um erro de marketing, na minha opinião.

Uma ideia se me ocorre: e se eu fizesse um conto mais ou menos parecido, com algumas nuances para não ser acusado de plágio, na esperança de que, no futuro as proximas gerações utilizem o termo “amorimiano” para o relato de um acontecimento fantástico e heroíco? ..Muito bem pensado, sim senhor.

O argumento seria este: em vez de passarmos pela denominada idade da parvalheira em que fazemos coisas como  passear com as hormonas aos saltos e as borbulhas em constantes erupções  ou espancar outros adolescentes para  de seguida pôr o video no facebook, deveriamos  passar por uma “metamorfose” de alguns dias, como o bicho da seda, para que depois dessa fase, eclodissemos em belos exemplares adultos, sem traumas daquela complicada fase. Só que, pensando bem, o meu conto esbarra-se ou melhor espatifa-se de cara numa barreira impossivel de quebrar: a realidade portuguesa. Senão vejamos:
- Dentro do casulo, terei cobertura tdt ou estarei em zona sombra? Tenho de adquirir descodificador?
-   E com a invasão dos chineses, tenho garantias de o casulo ser de seda ou  será feita de poliamida ou plasticodida, made in china?
- Se o casulo for feito em dia de feriado, vai para o banco de horas ou é  considerado trabalho suplementar?
  E qual o imposto que o governo vai inventar para estes casos: o IMC? (Imposto sobre Metomorfose em Casulo). Com obrigação do PNB, com certeza. (Pagas e Não Bufas...)
Encontrei mais 343 condicionantes para o insucesso desse conto. A burocracia portuguesa estragaria qualquer processo desse genero.
Resta-me apenas reflectir em fazer eu próprio uma metamorfose baixinha, discreta, lentamente para que não desconfiem. E aconselhar a todos para que façam o mesmo. Uma metamorfose para um mundo melhor. Eu sei que é economia paralela, mas o que querem? É por um bom motivo....
Fim
PS:  na feitura desta crónica, nenhum bichinho da seda foi maltratado. E qualquer semelhança com a referida  bota nº 42 e a realidade é pura coincidência. Isto é ficção...senão era suspeito...

                                                           Fernando amorim, pai de filipe amorim, 4 anos

janeiro 09, 2012

METAMORFOSEAR

v.t. Mudar a natureza ou a individualidade;
Mudar o exterior ou o carácter de;
Transformar,converter, transmudar, transmutar.

Talvez para atender a alguns pedidos este mês um verbo fácil (ou parece!) a "digerir", "criar", "ensaiar": Metamorfosear.
Quando ouvimos, lemos, esta palavra imediatamente o cérebro faz uma ligação à tenra e frágil crisálida que se transforma, transmuta, em borboleta. A mudança do seu exterior é muito mais do que apenas uma muda de pele, a sua fragilidade e o ser constante presa para outros animais esvai-se e uma força se ergue advinda das suas asas. Quem era presa transforma-se em predador, quem era estática fisicamente ganha amplitude e esprai-se nos ares. É um engano atribuir-se a algo que parece inerte, a condição de subjugado, indiferente, apático. A metamorfose dá-se quando menos alguém a espera! E 2012... é ano para qualquer um de nós se metamorfosear! ( e deixo-vos com este pensamento ;)


Até 15 de Janeiro, deixe chegar até nós a sua visão!

janeiro 03, 2012

ALMEJAR

Sem mais delongas.... o feliz vencedor!

"Assim de repente, a palavra "Almejar" remete-me para um daqueles flashes que me percorre o cérebro, iluminando-o com teorias mirabolantes, que certamente poderiam ser resolvidas com a dose certa de medicação e possivelmente com umas quantas sessões de divã, a relatar cenas da infância...
Tudo ficara decidido numa reunião ultra-super-hyper-mega-secreta doa pais do jardim de infância de Crestins, feita à revelia das educadoras. O tema principal era inevitavelmente apurar responsabilidades na atribuição das palavras difíceis para o blog.
- A palavra "supuser" até me dá arrepios!- gritava um pai exaltado - Acordo de noite, a suar e a gritar pela minha mãe, só de pensar nesta palavra!... o que vale é que ela está no quarto ao lado!
Olhares cépticos entre os pais. Outro pai usa do seu direito à palavra:
- E eu com a palavra "Consagrar"!!! pensava eu que era mais uma marca de sardinhas em tomate e afinal é um verbo?!
- Ao menos que fosse a palavra "Alvejar"!... retaliou um pai com um olhar alucinado, mas só por ser jogador exímio de Counter-strike, um fanático dos videojogos com preferências por "headshots"... pelo sim , pelo não, abriu-se um espaço à volta do dito pai.
- Ou então que fosse "Algemar"! - Outra opinião de um pai com uma imaginação fértil em determinadas fantasias contemplando veludo e mais que não posso agora referir. Nova troca de olhares cépticos...
O alvo, depois de muita discussão, ficou assim definido: o DICIONÁRIO em cima da mesa da biblioteca da escola! Ele era o culpado e teria de desaparecer para que palavras mais corriqueiras como correr, saltar e comer fizessem parte do reportório das nossas educadoras.
Na fase da escolha do voluntário para a denominada operação "Livro a abater", senti um empurrão por parte de um sacana que me atirou para a frente das fileiras: estava escolhido o seu executante.

Três da madrugada. Equipado a rigor, todo de negro com um capacete do cicloturismo, com lanternas coladas com fita-cola e um leitor de MP3 a passar a banda sonora da Missão Impossível, entro na escola.
1- Salto o portão;
2- Toco à campainha;
3- Entro por uma janela que ficou aberta;
4- Procuro na sala o botão que abra a porta;
5- Volto a sair pela janela;
6- Entro pela porta e ainda digo "obrigado" ao intercomunicador, boa educação acima de tudo...

Quando chego à biblioteca, e fruto de muito cinema, idealizo um esquema complexo, para evitar deixar impressões digitais, que consiste num sistema de cordas, roldanas e ventosas para poder descer na vertical, como uma aranha e assim apanhar o dicionário. Tal e qual como nos filmes de espionagem. E para evitar que a gotinha de suro estrague o meu plano (é um cliché nessas fitas...) besunto-me com um stick anti-transpirante...
Seis da madrugada. Mas isto é nos filmes, a realidade é bem diferente. Neste momento, enquanto espero a abertura da escola e estou aqui enrolado em cordas, embrulhado em imensos nós, preso como um chouriço na fase do fumeiro amaldiçoo-me por ver tantos filmes de espiões. O dicionário, esse está a um palmo do meu nariz. Quase o ouço a rir não fosse a música da Missão Impossível que continua a passar em modo repeat. Este objectivo nunca esteve tão perto... e tão longe de...

                                                                                                                A L M E J A R*

* Almejar: Desejar veementemente; ansiar; ambicionar.

Fernando Amorim, pai de Filipe Amorim (4 anos)