A primeira imagem que me passa pela cabeça? Assim de repente, o protector do monitor do meu computador, em que depois de um minuto de (eterna..) espera, fica todo preto, aparecendo no meio da escuridão, uma modelo em trajes menores, que de forma abnegada e muito profissional, se dedica a limpar o vidro do ecran com uma esponja, água e sabão, pondo assim a sua saúde em risco, devido aos salpicos que constantemente lhe molham o wonderbra... Ah, a primeira imagem era acerca do verbo metamorfosear?... Neste caso, assim de repente, um bichinho da seda, muito feiinho, que se tiver a sorte de não levar com uma bota nº 42 nas costas, ou não servir de aperitivo a um passarinho, se irá transformar depois de um período encasulado, numa belíssima e colorida borboleta a esvoaçar pelos jardins...( isto é, se não for apanhada por uma rede do tipo da bota nº 42, ou se não servir de petisco a outra ave com apetite para outro tipo de aperitivos...)
Depois de uma aturada pesquisa sobre a temática ( bendita internet..) e sabendo que qualquer crónica que se preze, deve ter alguma informação útil, cá vai: não, não me vou referir a ter receio de qualquer bota nº 42, sobretudo se for daquele tipo de pessoa que acorda de manhã com cara de insecto, de olhos esbugalhados. Vou antes falar de um livro, que faz parte da literatura universal. Um conto com o sugestivo título “ A metamorfose”. Escrita por um tipo de nacionalidade checa, chamado Franz Kafka, é sobre a história de um homenzinho, caixeiro viajante que, um dia, acorda na sua cama transformado num insecto. Realmente, um cenário fora do vulgar, tal como os seus contos, e que originou o adjectivo “kafkiano”, quando o relato de um acontecimento é cheio de peripécias, fora do comum, anormal, presa pelas engrenagens da burocracia ( ou seja, a ser aplicado a qualquer acção dos nossos políticos...),. Numa alegoria á sua própria vida familiar, o pobre caixeiro viajante, outrora parasitário, pois trabalhava para o sustento de toda a familia, agora transformado num repelente insecto, parasita e dependente, é aos poucos abandonado pela famelga que, como tem de dar ao cabedal e fazer-se pela vida, ja nao precisa do desgraçado.
Confesso que não li o conto.
Fica a aguardar a sua vez, entre o livro do tio Patinhas e a “blitz” de Dezembro, naquele pequeno local sagrado da casa, onde o comum dos mortais com pouco tempo dedica para a leitura. Mas desde já aviso: o livro não tem desenhos, o que é desmotivador. Só letras e letras, que juntas formam palavras, e que, com a pontuação correcta, nos levam a frases. Nem um desenho sequer de um super heroi a desancar bandidos ou uma foto de uma “nova-figura-jet-set-da-casa-dos segredos-amanhã-já nao-sei-o-teu-nome”. Um erro de marketing, na minha opinião.
Uma ideia se me ocorre: e se eu fizesse um conto mais ou menos parecido, com algumas nuances para não ser acusado de plágio, na esperança de que, no futuro as proximas gerações utilizem o termo “amorimiano” para o relato de um acontecimento fantástico e heroíco? ..Muito bem pensado, sim senhor.
O argumento seria este: em vez de passarmos pela denominada idade da parvalheira em que fazemos coisas como passear com as hormonas aos saltos e as borbulhas em constantes erupções ou espancar outros adolescentes para de seguida pôr o video no facebook, deveriamos passar por uma “metamorfose” de alguns dias, como o bicho da seda, para que depois dessa fase, eclodissemos em belos exemplares adultos, sem traumas daquela complicada fase. Só que, pensando bem, o meu conto esbarra-se ou melhor espatifa-se de cara numa barreira impossivel de quebrar: a realidade portuguesa. Senão vejamos:
- Dentro do casulo, terei cobertura tdt ou estarei em zona sombra? Tenho de adquirir descodificador?
- E com a invasão dos chineses, tenho garantias de o casulo ser de seda ou será feita de poliamida ou plasticodida, made in china?
- Se o casulo for feito em dia de feriado, vai para o banco de horas ou é considerado trabalho suplementar?
- E qual o imposto que o governo vai inventar para estes casos: o IMC? (Imposto sobre Metomorfose em Casulo). Com obrigação do PNB, com certeza. (Pagas e Não Bufas...)
Encontrei mais 343 condicionantes para o insucesso desse conto. A burocracia portuguesa estragaria qualquer processo desse genero.
Resta-me apenas reflectir em fazer eu próprio uma metamorfose baixinha, discreta, lentamente para que não desconfiem. E aconselhar a todos para que façam o mesmo. Uma metamorfose para um mundo melhor. Eu sei que é economia paralela, mas o que querem? É por um bom motivo....
Fim
PS: na feitura desta crónica, nenhum bichinho da seda foi maltratado. E qualquer semelhança com a referida bota nº 42 e a realidade é pura coincidência. Isto é ficção...senão era suspeito...
Fernando amorim, pai de filipe amorim, 4 anos